Bicicletada Recife

Menos carros e mais bicicletas para Recife

Bicicletada de Aniversário

I Bicicletada 2010

bicicletada janeiro peq

Campanhas de Redução de Velocidade

Campanhas lançadas na Inglaterra que de fato transferem a responsabilidade dos “acidentes” para o motorista e não para o pedestre como as que veiculam no Brasil. São vídeos curtos de no máx 1 min. O último foi uma campanha específica para o cuidado com os ciclistas.

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Alegoria dos Porcos

O texto a seguir não tem autor conhecido. Circula pela internet, dizem que o original, em espanhol, apareceu entre os alunos da Universidade de Piracicaba em 1981. Apenas as fotos foram acrescentadas.

Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque.
Photo: ELEANOR BENTALL

Mas fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes – milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, quando mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto maiores eram as perdas causadas.

Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, seminários, conferências passaram a ser realizados anualmente para buscar uma solução. Mas não acertavam o melhoramento do mecanismo. Assim, no ano seguinte repetiam-se os congressos, seminários, conferências.

As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda às árvores ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava a quantidade das chuvas…
Na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo – incendiadores especializados (da Zona Norte, da Zona Oeste, noturnos e diurnos, incendiador de verão, de inverno, etc). Havia especialista também em ventos – os anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.


Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação. Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.

Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades para formação dos professores especializados; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos….
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direção oposta à do vento, de forma a direcionar o fogo, etc.

Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido – bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouvi-lo pacientemente, disse-lhe:
- Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?
- Não sei – disse João.
- E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadores automáticas de ar? E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Heim?

- Não sei – repetiu João encabulado.
- O senhor não vê, que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros e quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me.
- Não sei, não senhor.
- Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos – por exemplo, como melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência), como construir instalações para porcos com mais de sete andares.

Temos que melhorar o sistema, e não transformá-lo radicalmente, o senhor, entende? Ao senhor, falta-lhe sensatez!
- Realmente, eu…. – suspirou João.
- Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina.

Extraído do blog Transporte Ativo

Sociedade do Automóvel

Esse vídeo é um pouco mais longo, tem cerca de 35 minutos e aborda quase todas as problemáticas envolvidas numa Sociedade do Automóvel, como a nossa, não esquecendo-se de apontar soluções práticas. Apreciem

http://video.google.com/videoplay?docid=1608289607442109392

Créditos: Branca Nunes e Thiago Benicchio

Selva de aço – Crônica

engarrafamento

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados.  Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Observava os outros animais de perto, não havia espaço para se ter uma visão de longe. Por entre um e outro, enquanto se moviam lentamente, quase parando, abria meu caminho. A fila de gigantes de aço aumentava, um atrás do outro, como se estivessem esperando a sua vez de poder exibir toda sua força, algo que nunca iria acontecer ou, se acontecesse, por alguns poucos segundos. Frustrados, quase castrados, encouraçam-se aos montes em meio a nuvens de fumaça e poças de sangue terrestre, dejetos do conforto. Imponentes com toda sua potência, impotentes diante de tanta imponência, é um desastre causado por si próprio. A propaganda dizia “Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência”. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais… fila. Já não sei mais de quem estão falando. O ritmo das pedaladas funcionava como um mantra, até que algo interrompeu a concentração:

- Sai daí ô! Fica atrapalhando o trânsito! – disse-me um dos domadores de bestas. Parei, respirei fundo, respondi com calma.

- Quem atrapalha é você. Sua gaiola pesa uma tonelada, ocupa a rua toda e ainda fica parada a maior parte do tempo. Tá vendo eu trancar o caminho de alguém por acaso?

- O meu!

- Não. O seu caminho tá trancado pelo seu colega da frente. Eu vou passar pelo lado e continuar pedalando.

- Então eu vou passar por cima de você e desse seu brinquedo!

- Isso não vai arranhar a pintura e amassar a lataria?

- Ah! Seu %$@#%#…

- Boa sorte, tente me alcançar.

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Num passado pouco distante, viam-se paisagens, montanhas, árvores, nuvens. Hoje se vê o carro da frente, o carro de trás, o carro de um lado e o prédio do outro. Talvez o plano tenha dado certo demais. Segui meu caminho, vaiado por uma multidão de rosnados artificiais. Nem para reclamar esforça-se mais, está tudo ao alcance de um botão. Uma população inteira investe seu tempo para ter exclusividade, e não se dá conta de que tanta exclusividade só pode resultar numa coisa: exclusão. Exclusão da vida, exclusão da natureza, exclusão do corpo e da vontade que nos é própria, exclusão da sabedoria. Trabalhar para não ter trabalho, trabalhar para ostentar o luxo insustentável e autodestruidor, usar a vida para assegurar a morte – esta sim que deve ser tranqüila -, não me parece fazer sentido. Prefiro suar e não incomodar ninguém.

Por Vinícius Leyser da Rosa
Extraído do Blog Bicicleta na Rua

Carro, individualismo e a cidade

Tava lendo “A automação e o futuro do Homem” e achei este trecho interessante. É um livro de Rose Marie Muraro (1969) sobre o como a técnica influenciou na configuração das relações sociais ao longo o tempo (teria postado aqui, mas não achei o ebook).

Ela parte da invenção da roda e técnicas utilizadas primitivamente pra chegar na atualidade. Em algum momento, fala da revolução industrial:

“Mais tarde, o automóvel, em que  roda adquire velocidade ainda mais notável, veio misturar tudo a um ponto terrivelmente frustrador tanto para o planejador como para o habitante, tornando as ruas perigosas e impedindo-as de desempenhar o papel de lugar de encontro da comunidade, dando nascimento ao homem solitário e neurótico da grande cidade.” (p.47)

Ciclovias para Cidades que queremos

vídeos postados por cristina (“ciclovias para cidades que queremos”)

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Como denunciar o roubo de bicicletas

Nos últimos dias, fiz e mative contatos com muitas pessoas legais que são entusiastas da bicicleta, como eu. A que me deu essa dica foi o Alexandre Afonso, cara gente boa e solícito para ouvir, participante da Bicicletada da Pauliceia.

O site em questão é o do Cadastro Nacional de Bikes roubadas.

Disponibilizados para que ciclistas de todo o Brasil possam denunciar os roubos de bicicletas sofridos, os registros completos [que pedem até o nº do boletim de ocorrência] é enviado a uma série de lojas de bicicletas e pontos de venda em todo o território nacional, caso o autor do delito tente vender a bicicleta em algum desses estabelecimentos.

Apesar de sabermos que em algumas cidades, as bicicletas roubadas vão diretamente para as “Feiras de Troca”, o que poderia inviabilizar esse cadastro, o registro mais realista possível do número de bicicletas roubadas, pode e deve ser encarado como uma ferramenta de acompanhamento das ações de estímulo ao uso e à massificação do uso da bicicleta que pode ser refletido na diminuição no número de roubos de bicicletas.

Segue o endereço: http://www.pedal.com.br/roubos/roubos.asp

Abraços ciclísticos,

Lucio

Para inspirar as ações em Recife

Esse post é muito interessante.

By Andy Singer

By Andy Singer

Foi publicado aqui http://namedidadohumano.blogspot.com/2009/01/guia-para-bombar-bicicletadas.html e tem uns comentários de como foi se estruturando a Bicicletada de Sampa.

Fazer uma bicicletada todo mundo já sabe. Quem não sabe basta navegar na página da bicicletada ou ler o Apocalipse motorizado (tanto faz o livro ou o blog). Agora a questão que parece mais urgente é “como bombar uma bicicletada?”

A experiência de Sampa foi bacana e segue como referência. Lembrando que uma referência é apenas uma referência, um exemplo, não quer dizer que basta copiar, é só um caso de sucesso. [Característica importante. São parâmetros passíveis de avaliação pelos participantes]

Pensando nisso resolvi juntar algumas memórias sobre aquela época romântica em que éramos menos de vinte. Essa é a minha visão da coisa e estou expondo ela aqui para que outras pessoas à critiquem e possamos aprender mais sobre o assunto. Talvez até criemos algum documento com toda nossa expertise.

1 – Se não for divertido para você, não faça!!! Se você está perdendo o tesão pela coisa tem que escolher entre duas opções: leve coisas divertidas para dentro da bicicletada ou não participe mais. [Opa! Acho que a reunião da quarta tocou um pouci nesse ponto.]

2 – O sentimento de fazer parte, de encontrar pares é o que mais motivava as pessoas a voltarem. Pessoas que aparecem pela primeira vez tem que ser muito bem recebidas. É preciso ir até elas, se apresentar, conhecê-las, mostrar pra elas que aquilo pode ser tanto delas quanto já é de quem já está. [Essa observaçã é interessante, pois nunca organizamos uma recepção pensada para os novatos. Poderíamos aplicar isto na reunião de esclarecimento antes da Bicicletada ou manter no dia, com discussão ampla com os novatos, apresentando a Bicicletada e discutindo sobre itinerários, situações de ciclista etc]

3 – A alegria contagia e a bicicletada é capaz de repor essa tão importante característica humana nos áridos espaços cimentados das cidades. [Essa questão do bom humor sempre rende discussões, mas já tentamos fazer algo organizado e que fosse além dos apitos? Poderíamos tentar mais uma vez, com mais barulho do que apitos e mais coisas nas bikes pra chamar a atenção de quem nos vê]

4 – A cerveja é o melhor lubrificante das relações sociais. As melhores bicicletadas sempre terminavam nos butecos. [Fica a critério de quem tem vontade]

5 – Um pouco de burocracia é bem vinda. Por mais que seja um movimento horizontal e ninguém mande em ninguém, nada impede que as pessoas se organizem e dividam tarefas de acordo com as possibilidades e habilidades de cada um. Se ninguém é capaz de realizar alguma das tarefas pretendidas, paciência, ela não será realizada até que alguém apareça em condições para tal. [O dilema coletivo x livre arbítrio, que pode ser visto no nosso caso, nos cartazaes.]

6 – Rotina ajuda a organizar. Todo mundo tem que saber que a bicicletada acontecerá tal dia, em tal local, em tal hora, faça chuva ou faça sol, com uma ou com mil pessoas.

7 – Existe um número virtualmente infinito de panfletos e cartazes. Nada impede que você faça novos, o que não dá é para não ter nada nas mãos. Crie ou copie, tanto faz, mas arme-se de material de divulgação. [Temos de continuar a levar os panfletos, Talvez em um momento específico, talvez no dia, talvez no dia a dia. Mas temos sempre que ter alguns a mão.]

8 – Se você realmente acredita que vale a pena, não desista nunca. Nunca!!! [Esse é o espírito da coisa. Temos que pensar em uma sucesão de fatos que justificam toda última sexta feira do mês, estarmos no mesmo lugar, chamando sempre pessoas novas e passeando pela cidade e mostrando que há uma demanda reprimida para as bikes em Recife e Região Metropolitana]

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Pessoal, esse post mostra situações que devem ser refletidas para que a Bicicletada não morra. Não se pode pensar que o ato contem toda a dose de cicloativismo. Não, há de ser lembrado que a Bicicletada poderia ser o ápice de todas as ações que estão programadas para acontecer durante o mês entre 2 atos.

Acima de tudo, se não houver um momento para unirmos, o Zona Sul que gostaria de usar a bike além de seus passeios noturnos com o trabalhador que já o faz mas de forma insegura, do que adianta todo o esforço de um mês inteiro em comundades, nas ruas e nas pedaladas semanais?

Pensem nisso e não deixemos a Bicicletada parar. Bota no sábado, mas não acabe com a Bicicletada.

Lucio